Semana passada realizamos uma dinâmica envolvendo objetos que representassem cada um dos alunos. O objeto que escolhi para me representar foi minha sapatilha de ponta, uma vez que esta traz leveza, mas ao mesmo tempo exige força, dedicação e determinação para que possa ser utilizada, características que, penso eu, definem bem minhas atitudes e minha personalidade. Tivemos de ligar nossos objetos a outros, segundo o critério que quiséssemos. Liguei minha sapatilha a uma folha de papel e ao ukulele, uma vez que identifiquei uma afinidade entre os significados subjetivos desses objetos e o meu.
Foi proposto, então, que estabelecêssemos conexões, não mais finalísticas ou causalísticas, mas programáticas entre eles. Os três objetos que escolhi podem ser ligados por vários aspectos, mas incluir nesse diálogo a possibilidade do acaso é deveras desafiador, devo dizer. Cheguei, assim, a uma ideia de que os três estão diretamente relacionados á arte. A sapatilha, o ukulele e o papel são veículos que permitem que os indivíduos se expressem artisticamente, seja pela dança, pela música, escrita ou desenho, entre outros. Tais objetos, poderiam ser utilizados para criar um ambiente interativo em uma exposição, por exemplo. As possibilidades de disposição, bem como a funcionalidade deles, seja com seu fim objetivo ou com outros fins (como decoração, entre outros), abre o horizonte para infinitas oportunidades de expressão, que irão variar de indivíduo para indivíduo, de acordo com a percepção de cada um. Embora essa relação tenha um fundo finalístico, ela, assim como um baralho, cria uma perspectiva ampla e inclui nela o acaso, mesmo que delimitando certas características, permitindo que cada um crie seu próprio "jogo", o que a torna, assim, programática.
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